Desmame sem dia D, mas com respeito e amor

Desmame sem dia D, mas com respeito e amor
Relato lindo da Deborah, mãe do Isaac. Vem se emocionar comigo!
“Havíamos amamentado exclusivamente até o sexto mês e em livre demanda até 1 ano 6 meses, aproximadamente. A amamentação teve um lugar muito especial na minha vida. Na geração da minha mãe e da minha vó, as mulheres não conseguiram amamentar, “não tinham leite” e os bebês se alimentavam do leitinho da cabra que criavam na fazenda ou, na geração da minha mãe, já com as fórmulas. E eu sempre sonhei em amamentar! Conseguimos a muito custo, um tanto de dor e adaptações no começo (e, graças a Deus, tive bastante leite. Fui doadora até o sexto mês). Por estas e tantas outras razões, a amamentação tinha um lugar bem especial na minha história enquanto mãe e na história do meu filho, que ganhou bastante peso só com aleitamento materno, contrapondo o mito que circulava na família que mulheres não tinham leite.
Comprei os livros da Coleção Conto com Você quando Isaac tinha 10 meses, pensando em iniciar o desmame noturno quando ele fizesse 1 ano. Ele acordava bastante, 6 ou 8x/ noite, o que me deixava esgotada, mas Isaac passou por um período em que ficava bastante doente e tudo que queria era mamar.
Depois veio uma mudança de cidade, início escolar e acabei não fazendo o desmame noturno.
Num piscar de olhos, ele já estava com 1ano 6meses e senti a necessidade de começar a não amamentar mais fora de casa. Mas como “interditar” algo que estava sempre “open bar” para ele?
Até que aconteceu um episódio em que ele estávamos em um restaurante, ele dormindo. Acordou já chorando e mamou por bastante tempo… E eu? Eu comi a comida gelada! Estava me sentindo muito cansada e pensei que a maternidade poderia ser mais leve. Ele já estava com 1a9m e eu decidi que havia chegado a hora de ir conversando com ele para diminuirmos as mamadas. E eu acredito que com conexão e respeito tudo dá certo!
Fui conversando, lendo o livro Tchau, tetê às vezes e fizemos juntos o quadro do mamá. Ele amou construir o quadro! Quando se estressava querendo peito, íamos juntos até o quadro e recapitulávamos se era hora ou não do mamá.
Ele gostava muito do livro e às vezes pedia pra eu ler o “livro do mamá”. Então começamos diferente. Preferi ir tirando as mamadas do dia, que conseguiria ir conversando com ele e fazendo ele tomar consciência do que estava acontecendo . Não foi um processo linear. Alguns episódios me fizeram voltar atrás e depois retomar o processo.
Quando estávamos somente com a mamada para dormir e as da madrugada (ainda acordava 1 ou 2x), em 2 tardes seguidas ele chorou bastante… Não pedia peito no começo, mas vi que ele estava com dificuldade para dormir a soneca da tarde. Acordava e pedia peito… eu já estava tão exausta de tudo! Queria tanto ficar com as boas lembranças, que decidi que iria tirar as mamadas que ainda restavam.
Foi assim, sem dia D, sem foto da última mamada (nem eu nem ele sabíamos que era a última). Conversei com ele à tarde quando ele acordou, ele deu beijo e tchau pro tetê e dormiu à noite sem mamar. Acordou de madrugada e chorou pedindo. Ele adormeceu com a leitura do Tchau, tetê. E, tantas outras vezes que acordou, passou a não pedir mais o peito, mas pedia o “livro do mamá”. Acredito que, para ele, o livro foi uma linda ferramenta lúdica que ajudou a elaborar o fim deste lindo e feliz ciclo. Agora ele diz que é um meninão e não precisa mais do tetê.
Nenhum processo de desmame é simples, acredito que deve ser construído na singularidade de cada um e de cada relação. Seu livro é lindo e sensível, obrigada por estar presente de uma forma tão especial nesta etapa tão importante!”
(Deborah Pinheiro)
Desmame conduzido com respeito, gradualmente, de forma lúdica. Que lindo ler um relato assim 🙂

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