Está chegando a hora do desmame. E agora?

Eu sempre falo que passei a gravidez toda me preparando para a amamentação. Lia muito sobre isso, tirava todas as dúvidas, rezava pedindo um bebê saudável e leite! Brinco que pedi tanto, tanto, tanto, que veio um bebê que só queria mamar. E tivemos uma história linda, amamentação fácil, sem dores, nódulos, rachaduras. Não sofri nada de nada. Meu leite empedrou uma vez, por estresse quando meu avô faleceu, mas meu filho mamador logo resolveu a situação. Então, com essa leveza e tranquilidade, fomos levando amamentação.

Quando ele estava com 1 ano e 2 meses, fizemos o desmame noturno. E aí comecei a pensar: gente, olha só. Meu filho não vai mamar para sempre.

Esse assunto, que nem passava pela minha cabeça, começou a me perturbar. Eu não estava pronta para o desmame. Eu, mais que ele. Não estava preparada para romper esse vínculo.

Só que, gradativamente, ele começou a desmamar. Mamava cada vez mais rápido, menos vezes ao dia. Eu lia muito sobre isso e comecei a, intuitivamente, aplicar algumas técnicas, de forma bem despretensiosa. Só que começou a surtir um efeito muito bacana.

E eu comecei a pensar que a hora do desmame poderia estar chegando.

Fiz um curso de desmame gentil e gradual quando ele estava com 1 ano e 7 meses. Até chorei no curso. Eu estava muito emotiva. Não podia nem pensar em parar de amamentar meu filho, sofria em pensar que não seria mais necessária na vida dele (ahan, até parece! rs). Não conseguia de jeito nenhum pensar que talvez eu precisasse escolher um dia para isso acontecer, porque apesar de eu amar amamentá-lo, eu sabia que não queria prolongar isso muito além dos dois anos. Eu não me imaginava sem amamentar, mas não me imaginava amamentando uma criança de 4 anos, por exemplo. Sim, aquela coisa bem confusa e bem paradoxal que é ser mãe.

Depois do curso, que foi ministrado pela consultora de amamentação Bianca Balassiano – que também assina o prefácio do primeiro livro da Conto com Você -, comecei a pensar como eu tinha me preparado muito para a amamentação, e zero para o desmame. Essa sementinha ficou plantada no meu coração. Decidi que não escolheria um dia oficial para desmamar meu filho, mas comecei a conversar com ele sobre isso. Devagar, com calma e amor, fui contando que um dia o tetê iria acabar. Que ele estava crescendo, comendo bem. Perguntava se ele percebia que o leite já saia mais devagar….

Foram 4 meses de conversa, eu repetia a mesma história toda noite, uma história que inventei, da nossa vida. Contava com ele mamando, no quarto já escuro. A essa altura, já tínhamos passado de 4 mamadas por dia, para 3, 2, 1. Ficou apenas a noturna, de antes de dormir.

Até que chegou o dia do aniversário de 2 anos dele. Ele dormiu, mamando. E nos 2 dias seguintes, saímos à noite, ele dormiu no carro, sem tetê. Não mamou nas madrugadas, pois já não mamava há meses. E, na terceira noite, ele pediu o tetê e eu sugeri: filho, você não mamou nos últimos dois dias inteiros. Você fez 2 anos, está grande, você quer dormir hoje sem tetê de novo?

E ele quis. Lemos um livro que ele adorava. Adormeceu de mãos dadas comigo. Pediu para mamar, claro, uns 3 dias depois. Mas expliquei, contei novamente nossa história do fim do tetê.

E assim foi, sem choro, sem mágoas, sem mentiras. Com muito amor, beijos, abraços. Eu, claro, derramei umas lágrimas, de saudades e agradecimento. E comecei a pensar mais seriamente como essa questão de construção de vínculos baseados em verdade e confiança dava certo, e como isso era importante para mim. Foi assim que a idéia da Conto com Você começou a fazer parte da minha vida e assim que escolhi o desmame como tema do primeiro livro.

Espero que esta história, escrita com tanto amor, possa fazer parte da vida de outras famílias que estão passando pelo momento que eu passei. E que ajude você a viver o fim desse ciclo de forma delicada e gentil, como foi aqui em casa.

O assunto desmame foi abordado em dois livros. O primeiro, para auxiliar o desmame noturno (Mamar quando o sol raiar). O segundo, para conduçaão de desmame total, é o Tchau, tetê.

Adicionar comentário